
O ano de 2009 ficará na lembrança de Flávia. A atriz faz sucesso como a protagonista Dafne de 'Caras & Bocas', escolhida pela revista 'Playboy' para ser a capa da edição de dezembro.
'Este foi um ano abençoado e este ensaio fecha com chave de ouro', conta Flávia. Assim como Dafne, Flávia admite que costuma ser a conselheira dos amigos e da família. 'Gosto mesmo de ouvir e dar palpite na vida dos meus amigos. Acho que essa liberdade é bacana. É a melhor terapia que existe'.
Fazer cinema é o projeto da atriz para o ano que vem, depois que 'Caras & Bocas' terminar. Só que, por enquanto, os convites não chegaram.
'As pessoas partem do princípio de que eu não faria uma participação pequena. Isso acontece até em novela. Gente, não tem isso. Eu aceito os papéis'
Como você definiria a Dafne?
'Ela é uma mocinha contemporânea, uma mulher com atitude, que responde, não leva desaforo pra casa, não abre mão da profissão nem do amor. Ela se desdobra para dar conta da filha, do marido, do trabalho... Foi um achado do Walcyr desconstruir a heroína tradicional de novela e emplacar uma nova mocinha, mais atual.'
Você está no ar em 'Caras & Bocas e também em 'Alma Gêmea, que está sendo reprisada no 'Vale a Pena Ver de Novo. Você se assiste à tarde?
'Vejo porque a televisão da sala de estar do Projac fica ligada o tempo todo e, de vez em quando, passo e dou uma olhadinha. Também coloquei para gravar em casa. É gostoso rever porque não tem cobranças, expectativas... Já sei que a Cristina foi uma personagem que deu certo.'
Como é a reação do público nas ruas?
'Todo mundo brinca. Quando vou trabalhar, as pessoas mexem dizendo que não está nada fácil para a Dafne e que a culpa é da Cristina. Dafne está pagando pelas maldades que a Cristina fez.
Você é filha de uma professora e de um comandante de navios.'
Como a profissão de atriz entrou na sua vida?
'Todo o mundo lá em casa é normal. Desde criança eu dizia que queria fazer teatro, filme e novela. Minha mãe e meu pai sabiamente souberam respeitar a minha escolha sem abrir mão dos estudos. Comecei com 7 anos fazendo ponta em produções e também comerciais. Mas o meu boletim tinha de ter boas notas para que eu continuasse atuando. Na verdade, eu queria seguir duas profissões: atriz e trocadora de ônibus. Na minha cabecinha, eu achava que a trocadora passava o dia passeando de um lado para o outro e ainda ficava com aquele dinheiro todo que ela arrecadava com as passagens...'
E acabou que você tem mesmo duas profissões, afinal, é formada em Direito. Foi difícil abrir mão da carteira de advogada e optar por uma profissão instável como a de atriz?
'Quando me formei na faculdade, tinha acabado de fazer a Dorothy, de 'A Indomada'. Reuni mais duas amigas e a gente estava prestes a montar o escritório quando a Globo me chamou para um contrato longo. Eu desisti da carreira e elas continuaram. Uma delas hoje é defensora e a outra fez prova para juíza, mas está morando no exterior. Acho que qualquer profissão no Brasil está instável atualmente. Há dois anos que parei de pagar a minha OAB porque hoje as pessoas conhecem um pouco do meu trabalho. A minha insegurança é menor do que no passado, mas a gente passa por um momento delicado no Brasil. É difícil falar para a minha filha o que fazer. A gente não sabe como aconselhar, que faculdade ela deve fazer... Ter um diploma não significa que você terá estabilidade no trabalho.'
Alzira, sua personagem em 'Duas Caras, explorava um lado sensual com a 'pole dance' e fez um grande sucesso. Você já conseguiu exorcizar da sua vida a sedutora Alzira?
'Confesso que eu tive medo de encarar um novo papel porque Alzira foi um sucesso. Às vésperas de eu estrear como a Dafne de 'Caras & Bocas', as pessoas ainda me chamavam de Alzira. Mas nos primeiros 15 dias em que a novela estava no ar, eu já ouvia no aeroporto as pessoas me associando à nova personagem. Acho que a gente desconstruiu bem a Alzira, usando na Dafne um visual completamente diferente.'
Na época em que Alzira estava no ar, você chegou a colocar uma barra de ferro em casa para treinar as coreografias da personagem. Ela já saiu de lá?
'Eu tirei o queijo da minha casa assim que a novela acabou. Ele ficava lá porque, sempre que havia uma brecha, eu ensaiava. Podia ser à noite, madrugada, a hora que fosse. Tive uma professora que me ajudou no início da novela, mas depois era comigo. Eu tinha de criar os passos e lançar mão deles quando fosse preciso. E, para isso, precisava treinar.
Esse excesso de ensaios em casa não prejudicaram você fisicamente?
Sim. Alzira me exigia muito fisicamente. Terminei 'Duas Caras' com meu joelho machucado, abri o pulso e meu ombro ficou prejudicado. Eu sou ambidestra. Escrevo com a esquerda, mas faço todo o resto com a direita. Tinha movimentos que só conseguia fazer para a direita. Outros passos, só com a esquerda. Com isso, me ferrei toda. Fiz fisioterapia para melhorar o pulso e o ombro.'
'Esse namoro com a revista começou quando Alzira ainda estava no ar. Mas eu tinha certeza de que não ia fazer naquela época porque a personagem já era muito sensual. Eu tenho sempre a preocupação de separar a Flávia Alessandra da personagem. Não queria que as coisas se misturassem. Alzira era muito sensual e eu sabia que tinha de ir na contramão. Foi em 'Duas Caras' que o público me viu como gostosa. A Dafne me trouxe a possibilidade de fazer o ensaio de novo porque ela não é nada sensual. Eu amo o ensaio. Acho lindo, não tenho nada contra. Eu sou muito bem resolvida com o meu corpo. Eu não tinha o planejamento de fazer agora.'
Você está com 35 anos. Chegou a pensar em não fazer o ensaio por não ter mais vinte e poucos anos?
'Percebi que 35 anos deve ter um peso, porque estão fazendo demais esta pergunta! (risos). Eu ainda não fiz nenhuma cirurgia plástica e prefiro malhar a fazer uma lipo.'
'Esse ensaio ficou totalmente diferente do primeiro, que foi feito no Rio. Desta vez, fizemos as fotos em um dia e meio, num hotel em São Paulo. Fico muito tempo em hotéis e observo quantas mulheres interessantes passam por ali. Quis colocar isso no ensaio, ser várias delas. Gostei mais desse resultado do que do anterior. Acho que ficou um ensaio mais maduro.'
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