quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Entrevista


'Nunca fui tímida', diz Flavia Alessandra no adeus a 'Playboy'


Por Maria Carolina Maia

(Foto: Divulgação)

Flavia Alessandra acaba de participar de um feito na história das novelas globais das 19h. Caras e Bocas - na qual a atriz interpretava a protagonista turrona Dafne - chegou a igualar a audiência do folhetim das 21h, tradicionalmente o carro-chefe das novelas da Rede Globo. Quem se afeiçoou à personagem - e à atriz -, porém, não ficará totalmente desamparado, pois ela está de volta às bancas nesta semana com seu segundo - e talvez último - ensaio nu na revista Playboy, da Editora Abril, que publica VEJA. "Esta é a minha despedida", diz. Ela não revela por que pode deixar o gênero (será o passar dos anos? Ela tem 35...), mas deixa claro que não se trata de uma questão de pudor: "Nunca fui tímida", disse mais de uma vez na entrevista a VEJA.com reproduzida a seguir.
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Você está saindo do ar agora, com o fim da novela Caras e Bocas, que é um sucesso de público. Vai dar um tempo da TV para evitar super-exposição?
É claro que eu tenho essa preocupação, e a própria casa (TV Globo), também. Mas eu quero antes de tudo dar uma descansada. Eu estou há mais de um ano nessa pauleira da novela. Estou exausta. Eu quero dar uma boa pausa, de uns seis meses. E, quando retomar, me dedicar a cinema e a teatro, antes de embarcar em outra novela. Se eu começar antes uma novela, fica quase impossível conciliar com outros projetos. O que tenho marcado agora é uma participação - são dois dias de filmagem - no filme Sexo e Delícia, da Ingrid Guimarães.

Você cria uma personagem na hora de posar nua?
Eu raramente sou eu. Eu sempre faço a brincadeira de criar uma historinha e uma personagem. Nesse ensaio, mais ainda. A gente brincou com a fantasia de uma mulher - ou várias mulheres – em um quarto de hotel. Eu queria que o segundo ensaio fosse diferente do primeiro, que foi ao ar livre, no Rio. Aí, viajando para cima e para baixo, a trabalho, pensei em fazer as fotos num quarto de hotel, brincando com o imaginário por trás desse ambiente. É um lugar de que você desconhece o passado, você não sabe o que aconteceu ali dentro. Você chega e está tudo arrumado, como se fosse feito para você.

Em algum momento surgiu um pudor inesperado?
Não, em nenhum momento eu tenho isso, nem no meu trabalho artístico, de atuação. Tem gente que sofre horrores para gravar uma cena no chuveiro. Eu não tenho esse tipo de timidez, de constrangimento. Isso vai de cada um, da personalidade de cada um. Eu nunca fui tímida. Sou uma caçula que era o mais espoleta dos três filhos de casa. Acho que o caçula tem que correr mais atrás do prejuízo, tem de fazer mais para conseguir aparecer e ocupar algum lugarzinho. E eu tenho isso, acho que faz parte da minha natureza mesmo. Os meus irmãos não são como eu. Eu nunca fui tímida.

Você já disse "não" a um trabalho sensual?
Ah, já. No começo da minha trajetória, tomei cuidado para não trabalhar com esse lado sensual. Quis primeiro ter um reconhecimento profissional. Porque uma atriz, ao mostrar um lado sensual, principalmente no Brasil, corre o risco de ficar estigmatizada. Cheguei a perder alguns trabalhos que explorariam esse lado, porque não queria começar por aí. Mas eu nunca tive nenhum grilo nem timidez, não. Eu consigo ver o nu de uma forma bela, bonita. É um trabalho sério, muito profissional, que a gente tenta fazer de forma bonita, com poesia.

O Edson Aran, diretor de redação de Playboy, disse que você ainda vai fazer muitas capas da revista. Pode rolar um novo ensaio em breve?
Mentira (risos). Eu acho que foi uma despedida, mas uma bela despedida. O Aran brinca, dizendo que eu posso fazer uma capa a cada ano, porque me acha muito tranquila e gosta de trabalhar comigo.

Seu marido, o apresentador Otaviano Costa, acompanhou as fotos?
Só no primeiro ensaio. Este segundo a gente fez em São Paulo, num intervalo de gravação, num momento em que ele estava gravando no Rio, e ele não pôde acompanhar. Mas ele ajudou a escolher as imagens que saíram na revista.

Não deu nenhum ciuminho nele?
Ah, claro que deu. É normal, macho, másculo. E aí é que está o lado mais nobre dele, de superar, de respeitar. "Está bonito, está bacana", ele dizia sobre as fotos.

Alguns casais veem no ciúme um tempero para a relação. É o caso de vocês?
Não, isso não é do nosso feitio. A gente é um casal bem evoluído emocionalmente, graças a Deus. Foi só um ciúme normal, um ciúme que todo casal e que toda relação tem que ter. Um ciúme não de posse, mas de cuidado e de atenção.

É comum o uso do programas de correção de imagem, como o Photoshop, em ensaios fotográficos. O recurso foi usado no seu ensaio?
Assim como no primeiro ensaio, eu pedi ao máximo para que não se usasse Photoshop. Mas eles encrencam com umas cicatrizezinhas que eu tenho no corpo, de um tombo que levei. Eles argumentam que, quando se faz um pôster, a cicatriz acaba ficando grande. Então, eles apagaram essas marcas - tenho no pulso, uma perto do bumbum e a outra no tornozelo. Mas sou adepta a tentar não "metamorfosear", a não usar o Photoshop.

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